Moradores tentam tombar colégio N. Sra. do Morumbi

Moradores da região do Morumbi, na zona sul da capital paulista, entraram na semana passada com novo pedido de tombamento do Colégio Nossa Senhora do Morumbi e da área de entorno, de 96 mil m² e com 12 mil árvores nativas da mata atlântica.

Em outubro, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Conpresp) negou o tombamento do conjunto, alegando que a área é suficientemente protegida por leis estadual e municipal. O terreno é cobiçado pela Companhia City, que afirma ter assinado compromisso de compra e venda da área, onde pretende construir um condomínio com sete torres residenciais.

Por enquanto, porém, ninguém pode realizar obras no local. Em março, a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente conseguiu liminar que impede corte de vegetação, demolição do prédio do colégio e execução de obras. A liminar, com base em laudo técnico, apontou existência de 139 espécies nativas no local, incluindo ipês, jacarandás e canela (ameaçada de extinção).

A mobilização dos moradores começou em 2005, quando a City anunciou o acordo de compra e venda com a Congregação de Nossa Senhora – Cônegas de Santo Agostinho. “Entendemos que a votação foi atropelada na outra ocasião, uma vez que o Conpresp não aguardou a apresentação do laudo do Ministério Público para decidir”, disse a arquiteta Helena Caldeira, presidente da Associação Morumbi Melhor. “Agora, com toda a documentação produzida pela Promotoria, a análise será outra.”

A construção de condomínio no local seria contrária à legislação ambiental, que impede o corte de matas de mais de 10 mil m² e ao menos três tipos diferentes de árvores. No projeto da City em poder do MP, 636 árvores do terreno seriam cortadas para construir as torres residenciais.

A Promotoria alega também que o projeto apresentado pela City em novembro de 2006 não está de acordo com o Plano Diretor, que determina a área como de proteção ambiental. “Tem ainda o valor histórico do colégio e o interesse de protegê-lo”, diz a promotora Cláudia Fedeli.



Outras entidades, como a Associação Defenda São Paulo e o Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), também apoiaram a Morumbi Melhor no pedido de tombamento ao Conpresp. “É um importante respiro numa região adensada, que serve como regulador térmico e para dispersar a poluição”, afirma o presidente, Carlos Bocuhy.

Preservação. Já o presidente da Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana (Samovis), Jorge Eduardo de Souza, acredita que a construção das torres será positiva para a revitalização da mata atlântica do local. “Está abandonada e vai morrer logo, mas o projeto da City prevê a recuperação dessa floresta.”

A City recorreu da decisão liminar, mas o pedido de embargo foi negado em 8 de abril. Por nota, a companhia informou que “as questões apontadas pelo Ministério Público foram respondidas”, mas que não vai comentar o empreendimento enquanto a Justiça analisar a questão.

A City afirma ainda que “desconhece solicitação adicional de revisão do processo ao Conpresp”. Além disso, a construtora informa que continua a manter diálogo contínuo com “as principais associações representativas do Morumbi, que conhecem e apoiam o projeto pelos benefícios que trarão ao bairro, à comunidade e a São Paulo”. Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o projeto ainda precisa de autorização da Secretaria Municipal de Habitação e da Cetesb. O processo de tombamento está sob análise do Departamento do Patrimônio Histórico, mas, segundo o Conpresp, não é possível dizer quando entrará na pauta do conselho.

Mercado visa grandes áreas na zona sul

Como o Estado mostrou há uma semana, encontrar terrenos livres em bairros nobres é tarefa difícil para o mercado imobiliário. Ainda assim, um empreendimento de 26 andares começou a ser erguido a poucas quadras do Clube Hípico de Santo Amaro. No local, funcionava, até 2009, parte do tradicional Colégio Paralelo, o que mostra que a tendência de as escolas paulistanas venderem terrenos ao mercado imobiliário está longe de arrefecer. Procurado, o Secovi também admitiu que existe essa busca do mercado.

Fonte: O Estado de S. Paulo





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