Eleições do São Paulo ao final do ano
Marcelo Gouvêa anunciou sua candidatura à presidência do São Paulo durante um evento realizado no bairro Cidade Jardim, situado na zona sul da cidade. Na ocasião, o Clube foi representado por associados e conselheiros, formando uma chapa que contará com Eduardo Alfano na vice-presidência e Fábio Mariz como candidato à presidência do Conselho. O interesse e a organização em torno dessa nova proposta demonstram a mobilização de um setor da torcida pelo futuro do clube no próximo pleito, cuja votação ocorrerá em dezembro.
Três pilares do plano de Gouvêa
O plano de governo que foi apresentado tem como base três pilares essenciais. O primeiro consiste na reestruturação das finanças do clube, buscando reorganizar a dívida e estabelecer um controle rigoroso das despesas. O segundo eixo aborda uma reforma administrativa que visa substituir o modelo atual de gestão em áreas como Morumbi, Barra Funda e Cotia. A proposta é implementar uma diretoria executiva profissional, composta por especialistas de mercado, que terá metas claras e avaliações de desempenho. Por fim, o terceiro pilar foca na criação de uma cultura de responsabilidade nas decisões do clube, assegurando que cada escolha leve em conta suas consequências financeiras, esportivas e institucionais.
Primeiros 90 dias de gestão
Nos primeiros 90 dias após a eleição, a proposta estabelece que nenhuma decisão estrutural será implementada sem que antes seja realizada uma auditoria completa. Durante esse período inicial, serão conduzidas auditorias financeira, fiscal, administrativa e de tecnologia, abordando particularmente os contratos de longa duração e suas garantias. As auditorias estarão sob a supervisão de um CEO contratado do mercado, que será assistido por um especialista em reestruturação. Essa figura terá como responsabilidades identificar os riscos operacionais e participar da seleção dos demais executivos. O antigo CEO, Márcio Carlomagno, deixou seu cargo em aberto após sua saída ser vinculada à renúncia de Casares no início do ano.

Reestruturação da dívida do clube
No que tange à dívida, a proposta prevê a troca de dívidas de curto prazo e alto custo por compromissos de maior duração, através de negociações com bancos e refinanciamentos com instituições financeiras. O plano estipula três critérios: um custo inferior ao atual, prazo mínimo de quatro anos e um período de carência de pelo menos 18 meses. Durante o evento, Gouvêa indicou que a dívida do clube poderia ultrapassar R$ 1 bilhão até o final do ano. Adicionalmente, o programa propõe limites rigorosos para o uso de instrumentos financeiros. O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) será utilizado de forma seletiva, proibindo sua utilização para cobrir despesas mensais.
Transparência e integridade na gestão
Em relação à gestão, a chapa quer garantir que o CEO que será escolhido à frente da diretoria executiva trabalhe com profissionais do mercado, focando em objetivos e metas claras. Também está prevista a criação de um núcleo de compliance, que será encarregado de mapear riscos antes da assinatura de qualquer acordo. Isso incluirá um código de conduta que promoverá treinamentos voltados à prevenção contra corrupção e assédio moral e sexual. Outra proposta é a implementação de um canal de denúncias, que contará com uma equipe dedicada à sua administração, além de um fortalecimento do Conselho Fiscal, que atuará em parceria com a auditoria externa.
A importância do futebol feminino
No tocante ao futebol feminino, a meta é promover a autossuficiência financeira do time em até três anos. A proposta sugere que a gestão do futebol feminino seja integrada à gestão executiva geral, além de buscar formas de facilitar o uso do Morumbi conforme o calendário do estádio. Um estudo será feito para melhorar a estrutura de treinamentos e concentrações, juntamente com um plano de comunicação que busque estreitar a conexão com a torcida.
Desenvolvimento das categorias de base
As categorias de base do São Paulo têm um espaço destacado no projeto de Gouvêa. A integração entre as categorias profissionais e os jovens talentos da base será obrigatória. O foco será no desenvolvimento de jogadores para o elenco principal, antes de considerar a venda como estratégia para gerar receita. A ideia é reter os talentos nascidos no clube e optar por vendas estratégicas ao invés de necessidade de caixa. Gouvêa propõe ainda reformular as estratégias de captação, utilizando tecnologia, estabelecendo limites na quantidade de jogadores por categoria e investindo em infraestrutura, como gramados naturais e sintéticos, além de climatização e adequações para fisioterapia.
Renovação e inteligência no futebol
No cenário do futebol profissional, o salário total, incluindo encargos e direitos de imagem, somou R$ 366 milhões em 2025. O objetivo é ajustar os custos da folha de pagamento do futebol profissional de modo que esteja alinhada à receita do clube. Entretanto, não foi especificado um valor de redução e esta ficará condicionada aos resultados da auditoria inicial. A gestão do futebol será segmentada em quatro áreas: experiência em campo; saúde e desempenho; jurídico e integridade; e scouting e inteligência. Antes de cada transferência, as prioridades em relação a posições, perfis desejados e limites de investimentos serão estabelecidas. Contratações, renovações, saídas e trocas de treinadores serão monitoradas através de dossiês abrangendo os aspectos técnicos, médicos, contratuais e financeiros, onde cada decisão terá registrado seus fundamentos e os responsáveis pela mesma.
Diretoria comercial e novas receitas
Uma diretoria comercial será criada para gerenciar a precificação e negociação de ativos do clube. A proposta reconhece a difícil realidade financeira dos clubes com as recentíssimas mudanças, como a proibição das apostas via Medida Provisória 1.394/2026, que eleva a necessidade de diversificação na captação de patrocinadores e receitas. O contrato de naming rights para o Morumbi, que se encerra em dezembro, será reavaliado em busca de um novo acordo de longo prazo, com um valor adequado à importância do estádio. Perspectivas de exploração comercial do Morumbi e do Concept Hall devem fazer parte das alternativas apresentadas para aumentar as receitas do clube. O programa também busca melhorar a performance do sócio-torcedor, que atualmente apresenta baixo rendimento, propondo uma reformulação dos benefícios e categorias oferecidos, assim como novos preços.
O legado de Marcelo Portugal Gouvêa
A candidatura de Marcelo Gouvêa carrega um reconhecido sobrenome na história do São Paulo. Filho de Marcelo Portugal Gouvêa, ex-presidente entre 2002 e 2006, que conduziu o clube à conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2005 e estabeleceu a CFA de Cotia como um dos melhores centros de formação de jogadores. A gestão de Marcelo Portugal também promoveu a modernização do Morumbi e a criação do Reffis, um espaço destinado à recuperação e fisioterapia de atletas. A presença de Gouvêa na liderança do clube é vista como um movimento para resgatar a história de sucesso e as tradições que têm forte ligação com a identidade do São Paulo.
